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sexta-feira, 18 de julho de 2014

A Dama de Preto


 Mais um dia se passou, apenas vi as trocas de luzes no céu...

           É engraçado esse cárcere de mim, o aprisionamento do eu.
   
Eu, esta garota calada.
         
         A solidão daqui é uma coisa engraçada, ela é silente e sempre me sorri, sabendo quando penso em você, então me abraça. É caridosa, gentil talvez.

          Embora torturante, gosto de sua companhia, é um anestésico para esse estado de morte súbita nessa casa vazia, como uma boa dose de lidocaína na pele antes de perfurá-la, algo assim.
           De tanto ficar aqui, parece que casei-me com esta sempre presente mulher, porém ela não está aqui. Isso faz sentido?

           Magra, tão magra que diria que tem um corpo anoréxico. De dentes amarelos sorri a alegria que não tem, sempre com um cigarro entre os dedos e uma xícara de café posta à sua frente. Fala. Fala friamente, não por estar amargurada, mas pela falta de emoções e sentimentos que talvez morreram ainda na juventude.


         Mas ainda ama! Ama com uma doçura pueril, um destaque tão marcante quanto o batom vermelho habitual naquele emaranhado preto e branco de cabelos e pele. 
Tão minha! Sim. Tão minha que faz parte de mim.






Minha doce solidão.
Minha dama de preto.

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