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domingo, 3 de agosto de 2014

A manhã seguinte

            Como combinado, às 16h eu o esperava na cafeteria. Era uma tarde fria, a cafeteria era uma antiga casa que ficava no centro da cidade. Bem decorada, tinha um tom vintage acolhedor. Tomo meu cappuccino enquanto espero por Jonathan. 
Após uma espera de 10 minutos aproximadamente, ele chega e toma seu lugar à minha frente. 

            - Qual informação você tem?

            - Jonathan, tem certeza de que não foi seguido?
           - Tenho. Embora Karen tenha parecido um pouco desconfiada quanto minha saída ao centro num dia como este.
         
             - Encontrei uma carta de Alice.

            Então tiro o papel de dentro do bolso do meu casaco, depois de o papel todo amassado a carta parecia ainda mais desesperadora, as letras escritas com pressa e de forma irregular era assustadora. Ainda um pouco apreenssiva leio em voz alta: 


                  
 "Sarah,

Não tenho muito tempo, gostaria de ter conseguido entregar esta carta
mas com a força dos deuses e o destino em meu favor você a encontrará.
Karen tem tramado algo com Henry, creio que não estou segura aqui, as cartas 
me revelaram uma morte, não tenho certeza, mas creio que seja minha... 
Caso eu já não esteja viva quando encontrar esta carta, por favor, cuide de Jonathan. 
Confio apenas em ti para isto. 
Não deixe que saiam imunes, não se trata só de algo passional, é algo muito pior! 
Karen é uma mulher suja à procura de dinheiro, matará Henry em seguida.
Salve Jonathan, Henry também, se puder. 
Que os deuses te acompanhem...

Alice. "

              
          Termino de ler, Jonathan me encara ainda mais suplicante que quando me contara sobre o assassinato de Alice. 

          - Eles planejam fugir para Arjäng esta noite. 

          - Precisamos impedí-los...

          - Nós iremos, prometo.

         Jonathan se aproxima e me beija os lábios. Não era exatamente um beijo apaixonado, mais me pareceu uma forma de gratidão, era doce, quase inebriante.

         A noite chegou e o plano estava quase completo. No jantar eu serviria uma taça de vinho envenenada, depois de sumir com os corpos, Jonathan e eu embarcaríamos no lugar de Karen e seu pai. Dessa forma pareceria suicídio pós assassinato, não poderíamos ser incriminados.
        O jantar seguiu como o combinado, as taças estavam postas à mesa nos lugares certos. Todos riam e conversavam, a morte de Alice nem parecia ter acontecido dois dias atrás... Jonathan se levanta e propõe um brinde.

          - Gostaria de brindar à vida. Graças aos deuses ainda estamos vivos e bem. Cheers!

         - À vida. 

       E após um sorriso muito bem disfarçado acompanho à todos... Subitamente sinto uma tontura e caio sentada. Todos me observam, Jonathan tinha um olhar assustado; Karen e Henry me olhavam com um tom de vitória, não conseguia compreender.

        - Achou mesmo que cairíamos nessa? Que tola.

        - Alice escolheu muito mal sua defensora. 

        - Karen. Pai. O que significa isso?

        - Vai dizer que não sabe? - Disse Karen, tirando de dentro do bolso direito um pequeno gravador.

      "Então este será o plano, Sarah. Depois de envenená-los nós poderemos fugir
e reconstruir nossas vidas. Eu prometo..."

         - Péssimo plano, querido. - Ria-se Karen enquanto puxava uma pistola calibre 22 de dentro da roupa.

         Naquele momento eu não sabia mais o que sentia, meu corpo estava fraco, conseguia sentir o sangue subindo à cabeça de tanto ódio. Como foi que isso aconteceu? Tudo estava ficando tão turvo, mal conseguia respirar... Tudo está ficando escuro...
Um som de tiro! Jonathan está sangrando, meu corpo imóvel. Karen ri de forma tão vil que parece a visão do próprio Diabo.
"Meus deuses, o que faço." se repetia infinitamente na minha cabeça, que parecia a única coisa que funcionava em mim. Fecho os olhos, me preparo para partir, finalmente.

                                                                     ...

        Acordo, ofegante. Fora o pior pesadelo da minha vida. Me levanto e encontro um pequeno bilhete, vou ao telefone.

          - Jonathan? Por favor, Alice está?

           Apenas um silêncio do outro lado.

         - Jonathan..?

         - Minha mãe foi assassinada esta noite.




                                                                 Fim. 

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