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domingo, 3 de agosto de 2014

O último ato

"Minha mãe viu Karen matá-la..."

            Ecoava na minha cabeça e não me deixava dormir, não entendo porque ela faria isso, Alice sempre gostou tanto dela... 
A noite fria de outono parecia o cenário perfeito. As folhas caídas no jardim pareciam saber que alguém acabara de morrer, o vento varria meus cabelos para longe do rosto. Eu continuo parada naquela varanda, tão absorta que parecia que a qualquer momento pularia. Ouço alguns passos e sigo com tanto cuidado quanto poderia tomar.


             - Karen, precisamos fugir, rápido.
             
             - Dessa forma saberão que fomos nós, idiota.
      
             - Mas não podemos ficar aqui por muito tempo... Existem provas... Ou acha que Alice sabendo o que você iria fazer não deixaria nenhuma evidência?

              - Tem razão. Mas como faremos?

              - Amanhã, antes do amanhecer embarcaremos para a Europa, acredito em Arjäng não nos encontrarão.


           Ao fim desta ultima fala, houve um beijo longo e apaixonado. Mas... Esta não era a voz de Jonathan. Era Henry!
Volto correndo para o quarto, preciso dizer ao Jonathan o que vi... Ele pode pensar que estou mentindo! Deuses! Que faço? Toda essa trama está me deixando assustada, não entendo como poderia acontecer de tal forma. Por que fariam isso? 
De fato Jonathan dizia que Karen e seu pai passavam muito tempo sozinhos, Henry sempre foi professor de piano então creio que essa sempre foi a desculpa. 

Por fim prefiro tentar dormir e ver como poderei dividir esta informação no dia seguinte...

           Acordo na manhã seguinte um tanto quanto agitada, rapidamente me arrumo e vou para a cozinha, preciso ainda preparar o café da manhã. Que raiva! Quanta vontade me dava de envenená-los! Mas preciso manter a calma e procurar por evidências, como Henry dissera na noite passada, é provavel que haja alguma.
Aproveito que todos ainda dormem e vou para a sala de Alice, onde ela guardava seus artefatos mágicos, como ela mesma chamava, e onde também recebia suas clientes. Me parece que desde que ela foi morta ninguém ousou entrar ali, tudo estava exatamente como sempre...
          Me movimento cuidadosamente, finalmente fechando a porta atrás de mim. Tudo estava na mesma bagunça habitual, exceto por uma caixa, era a única coisa que estava por cima daquela mesa em que normalmente estavam espalhadas as cartas de tarot. Pego a caixa, parecia um alvo fácil demais. Se havia alguma coisa sobre sua morte, ela queria mesmo que qualquer pessoa encontrasse, mas ao mesmo tempo, seria a coisa mais idiota a se fazer: está exposto demais.
Haviam algumas chaves penduradas na parede próxima, a facilidade com que encontrei não foi exatamente um teste à minha inteligência. Abro a caixa. Tudo que tinha ali eram cartas que ela lia para os clientes. Maldição!
                                                                        ...
         
          Sem tempo para procurar por mais nada, saio da sala deixando a caixa em cima da mesa.

                                                              THUF! CRAC!

          Com um pulo de susto me volto para a caixa, agora totalmente despedaçada no chão. Percebo alguns itens que não havia visto da outra vez, então volto à examiná-los. A caixa não havia se quebrado, era um fundo falso. E finalmente o que eu procurava, a carta. Naquele momento imaginei que Alice era óbvia demais.

                                                                            "Sarah,

Não tenho muito tempo, gostaria de ter conseguido entregar esta carta
mas com a força dos deuses e o destino em meu favor você a encontrará..."

          Um som interrompe minha leitura. Provavelmente alguém acordou. Rapidamente escondo a carta entre minhas roupas e vou para a cozinha. Por sorte era Jonathan que acabara de acordar.


           - Não a encontrei em seu quarto. Bom dia.
      
           - Estive procurando algumas coisas. Tenho informações úteis. 

           - Sobre o que te disse noite passada?
        
           - Sim.

          E novamente surge Karen, me interrompendo.

            - Bom dia, querido! 

            - Bom dia.

          Volto a cozinha, faço o café da manhã. Ainda com tantas coisas na cabeça e sem saber como colocá-las em prática, encontro a solução perfeita. Um bilhete. Deixando o café para servir por último, deixo um pequeno recado sob a xícara de Jonathan. 

              "Encontre-me às 16h na cafeteria onde nos conhecemos. 
Este será o último ato desta trama."

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