Translate

domingo, 20 de agosto de 2017

As três amarras


As primeiras amarras eram coloridas, acolhedoras e quentes. Sequer parecia que eu estava presa. Nestas eu permaneci por pouco tempo. 
Então essas foram trocadas por outras. Estas, eram de prata e me fazia sentir um pouco menos confortável do que a primeira, mas dava a sensação do pertencer. Nestas, por sua vez fiquei por mais tempo. Apesar de uma cor apenas, era brilhante e refletia o futuro pela frente; as vezes também via reflexos vermelhos das rosas que vinham me visitar. 
Subitamente essas amarras começaram a realmente me fazer sentir como amarras: elas apertavam, doíam, prendiam e mandavam. E por mais que eu cogitasse sair, decidia por me ajustar dentro dela e ali ficar, com as rosas amigas. Até que não pude mais ficar. 
Então percebi as marcas, marcas estas que mesmo simbolizando a dor me fizeram voltar, e assim o fiz. 
Mas sequer pude vislumbrar as amarras prateadas ou as rosas vermelhas. 
Desta vez, as amarras eram sombrias e nunca confortáveis. Machucavam, me faziam sangrar; e por muitas vezes sangrei até perder a consciência. E assim sendo, me machuquei. Talvez eu tenha me ferido mais que as amarras em si, mas me feri. Me feri e quase morri. 
Mas cá estou, do lado de fora. Contemplo sozinha o caminho que fiz até estar fora das amarras e, honestamente, não é bonito de se ver, afinal liberação nunca é fácil ou amigável. 

O que quero dizer no fim de tudo é que tais amarras, por mais bonitas que possam parecer, não passam de apenas uma bela visão. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário